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Data de publicação: 24/06/2014 Comentários

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Adelaine Zandonai

A luz do sol bate no rosto. Mesmo sem enxergar nada direito, já consigo sentir a brisa do mar. Estamos perto da Atalaia. O caminho segue e a paisagem fica cada vez melhor. No recorte da rua Deputado Francisco Evaristo Canziani, a água do mar insiste em sua dança entre os costões rochosos. No final da praia de Cabeçudas, o caminho segue pela rua Samuel Heusi Junior, que termina numa grande barreira de ferro. Se em frente o portão está fechado, o caminho estreito da mata, no lado direito, dá a dica de onde passar. Chegamos na trilha ecológica do Canto do Morcego, que dá acesso ao farol de Cabeçudas. A essa altura, o mar já silenciou. O barulho que massageia os ouvidos agora é das folhas das árvores. Pra passar pelo pequeno trecho no mato é preciso cruzar a cerca, que já está quebrada. A placa diz que toda aquela beleza verde que me cerca pertence à Marinha do Brasil e que não passo de uma intrusa. No mesmo instante me vem à mente os últimos 10 anos que passei pela trilha pra curtir as ondas do Canto do Morcego. De algum jeito, aquele pedacinho do paraíso também é meu. Sigo a trilha descalça e o incômodo das pedras logo desaparece à medida que meus olhos alcançam o mar, que ali de cima consegue ser ainda mais encantador. Na primeira curva é possível ver as duas praias mais preservadas de Itajaí até então. Do lado direito o cantinho do Morcego, com as esquerdas perfeitas se desmanchando depois de tocar as pedras do morro do vigia. Bem na frente, a Solidão. Como o nome sugere, a praia é totalmente agreste. Não há como alcançá-la sem se embrenhar pelo mato. Mas a trilha não acaba ali. Caminhando pela estrada cheia de lama, vimos uma paisagem mais linda que a outra. Agora o barulho do mar batendo no costão se une ao barulho das folhas e dos pássaros. É possível sentir o cheiro do mar, misturado ao de lama e de mato. Ainda não inventaram nada nesse mundo que renove tanto as energias quanto mato molhado perto do mar. Entre um lamaçal e outro, a estrada que se forma sob os nossos pés é de rocha. Ao caminhar pela trilha, cercados de árvores, mal se percebe que estamos bem em cima de uma montanha rochosa, no final de Cabeçudas. Um braço de pedras pra dentro do mar. Chegamos ao topo, onde fica o farol da Marinha. A vista é paradisíaca. A volta é mais tímida e também apressada. Estamos fazendo algo proibido e não podemos ser vistos no meio de toda aquela natureza. Final do caminho. Pés sujos de lama, corpo seco, mas alma lavada. Hora de voltar pra redação e entender por quê toda esse exuberância é proibida à turistas e moradores.


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